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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Surf no Brasil




Fotos das etapas de fabricação Fábrica Zampol – Santos SP
Fotos Paulo Henrique


ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DE PRANCHAS DE SURFE

FRANCISCO MARTINEZ PEREZ NETO
PAULO HENRIQUE DE JESUS DA SILVA
CARLA BAPTISTA DE OLIVEIRA
SIDNEY MENDES SANTOS



1. HISTÓRICO DO SURFE
A história do Surfe tem como certo que o esporte nasceu no Havaí, porém existem referências de prática no Peru, África do Sul e até na Polinésia. No Brasil os precursores foram Osmar Gonçalves, Sílvio Malzoni e João Roberto Suplicy Haffers conhecido como Juá, sendo assim considerados os primeiros surfistas brasileiros que iniciaram a prática na cidade de Santos no Litoral Paulista na década de 40 (Sec XX). Com o tempo a modalidade foi se desenvolvendo até chegar aos parâmetros atuais de preparação e tecnologia da modalidade.
A praia do Arpoador/RJ com a “cultura do surf” nos meados de 1970 serviu de base para o desenvolvimento em todo Brasil, com aparição de novos moldes e materiais arrojados.








2. EVOLUÇÃO DAS PRANCHAS
As primeiras pranchas de madeira começaram sendo feitas no Havaí, e esse tipo de construção continuou com o americano Thomas Edward Blake (Tom Blake). Dedicado homem do mar, além de campeão de remo, natação e surfe. Com perfil inovador inventou pranchas que continuavam sendo de madeira, porém eram ocas, tendo como exemplo a prancha “ollo havaiana” que pesava aproximadamente 150 quilos. As pranchas de Blake dependendo do tamanho pesavam entre 25 e 35 quilos, se tornando mais acessível para a massificação do esporte. Entre as décadas de 30 e 40 (SEC XX) as pranchas desenvolvidas por Blake eram as melhores, sendo que os surfistas tinham ao menos um modelo de prancha, e isso perdurou até aproximadamente a década de 50. No Brasil Júlio Pultz (carpinteiro naval), considerado o primeiro shaper brasileiro fazia pranchas cavadas na madeira.
Logo após este período, com o advento da espuma de poliuretano e da fibra de vidro, as pranchas de surf ganharam uma leveza nunca conseguida e a evolução dos shapes apareceu rapidamente. Essa experimentação ocorreu com o foco voltado ao núcleo de espuma e dessa forma o design apropriado das “pranchas de surf” foi apurado. Paralelamente, em outras áreas, principalmente na construção naval foi desenvolvida a resina epoxy com suas qualidades de leveza, estrutura e estanqueidade que quando aplicadas à madeira surte bons efeitos.



3. ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DA PRANCHA DE SURFE
Shape: O Shape é o desenho da prancha, pode ser feito manualmente por raspagem do bloco, ou por máquinas. Na fábrica visitada (Zampol ) é utilizada uma máquina de fabricação própria para “usinagem” da prancha; sendo que a partir daí a mesma é lixada para retirada dos sulcos para deixá-la lisa e pronta para as próximas etapas. O profissional responsável por essa parte é o Shaper.
• Deve-se gastar o poliuretano na parte inferior, com uma plaina elétrica ou manual, sendo que na parte inferior a prancha deverá ter um bom desgaste no poliuretano no lado do bico a fim de se obter uma boa envergadura na prancha.
• Já o lado da rabeta deve-se gastar o mínimo possível do modelo do shape até que o surfista calcule a flutuação ideal para o seu uso. A longarina deve ser rebaixada com a plaina manual.
• Terminada a parte inferior da prancha deve-se começar a parte superior ou o lado de cima dela. O lado de cima da prancha deverá ter uma modelagem uniforme, ou seja, a parte que se deve shapear mais é o lado inferior do poliuretano e não o superior.
• Para um fácil caimento da borda, o shape deve ser colocado no cavalete de lado, e então começar a gastar a borda com surform, usando o surfom do bico até a rabeta formando assim várias linhas.
• Terminada as linhas, arredondar com lixa de ferro até que a borda fique uniforme para ter flutuação adequada do bico até a rabeta.
• Para a laminação transparente devemos começar primeiramente em baixo da prancha, colocando o tecido sobre a parte inferior e cortando com uma folga de tecido de aproximadamente 7 cm.
• Colocado o tecido em toda a prancha, preparar 800g de resina pré-acelerada, 40g de monômero, misturar até o monômero diluir a resina. Diluída a resina, adicionar 4% de catalisador e misturar bem.
• Com a resina catalisada, deverá ser jogada por cima do tecido e então se começa a espalhar a resina sobre a prancha com a espátula, deixando a resina escorrer no tecido da borda. O tempo de trabalho da resina é de aproximadamente 15 a 25 minutos conforme a temperatura ambiente.
• Para a laminação superior, usa-se o mesmo sistema, sendo a medida respectivamente 700g de resina, 30g de monômero e 3,5% de catalisador.
Laminação: É o envidramento da prancha o que a isola da água. Essa etapa é obrigatória e essencial para que a durabilidade da prancha seja maior. A resina e fibra de vidro são os materiais que garantem essa condição. O laminador tem que tomar cuidado já que essa etapa não deve tirar as formas da prancha, sendo que essa função é passível de muita responsabilidade.
• Fixar a quilha antes do banho grosso, sendo que a quilha deverá ter um bom reforço de roving e retalhos de tecido na sua base.
• A decoração pode ser feita na placa de poliuretano com resina bem diluída ou tinta Duco, conforme o gosto do fabricante ou também depois da prancha estar totalmente lixada com lixa grossa antes do banho para acabamento.
• Terminada a laminação, basta aplicar Hot Coat (Resina e monômero parafinado). Sua medida é de 350g de resina, 20g de monômero parafinado e 6% de catalizador.
• O Hot Coat deve ser aplicado com um pincel na parte superior e seco; lixar totalmente a prancha com lixa de ferro 50 para tirar as ondulações da laminação.
• Depois de seco o banho fino, lixar a prancha com lixa d'água 360 e posteriormente a 600.
• Depois de lixada a prancha, reforçar o brilho com boina de pele de carneiro usando Kaol e massa para polimento.
O lixamento a seco é uma etapa opcional.
• Pintura: Essa etapa é opcional e feita com pistola de air brush e ainda com tinta vinílica. Máscaras de proteção são usadas para segurança pessoal dos envolvidos na fabricação, tanto pela toxidade da tinta como contra resíduos de partículas sólidas.
• Quantidade de pessoas que trabalham na oficina visitada: 8 (oito).
• Exemplo de ferramentas e materiais utilizados: plainas, lixas, blocos, cavaletes, tinta vinílica, moldes, máscaras.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Surf no Brasil está em evolução com aparecimento de atletas, envolvimentos de patrocinadores, associações e federações, como também a área Acadêmica, contribuindo assim com seriedade para a consolidação do esporte, que também ganha destaque na imprensa especializada com transmissões de eventos esportivos.

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