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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PRÁTICA DO FUTSAL DA INFÂNCIA À FASE ADULTA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharelado em Educação Física à Universidade Metropolitana de Santos.
Orientador: Prof. Esp. Marcio Ricardo Cosme Ferreira.


autores *:
KALED FERREIRA BARROS
MAURO SÉRGIO MOTTA
SIDNEY MENDES SANTOS
* Professores de Educação Física - licenciados pela Universidade Metroplitana de Santos - UNIMES; Faculdade de Educação Física de Santos - FEFIS



INTRODUÇÃO

O treinamento desportivo do Futsal apresenta grande significado para a formação acadêmica dos autores do presente trabalho, evidenciando parte das atribuições do profissional de Educação Física. O desenvolvimento do tema Prática do Futsal: Da Infância à Fase Adulta, procura mostrar a importância da seqüência de um treinamento adequado para crianças que ao ingressarem na modalidade possam trilhar por um caminho mais seguro, objetivando progresso nas suas vidas esportivas e também nas relações com o cotidiano.
Segundo Freire (2006, p. 147) “ser humano é mais que movimentar-se, repito; é estabelecer relações com o mundo de tal maneira que se passe do instintivo ao cultural, da necessidade à liberdade, do fazer ao compreender, do sensível à consciência”.
Sendo assim nos amparamos em revisão bibliográfica de autores especialistas para descrever a prática do Futsal, em um processo evolutivo marcado por etapas de treinamento relacionadas principalmente com as idades dos atletas.
Neste processo de evolução há abordagem do problema da especialização precoce, da transitoriedade da adolescência para uma etapa de aperfeiçoamento, até chegar à etapa de preparação especial visando resultados nas competições propriamente ditas.
Esperamos contribuir para o ambiente científico com a análise e reflexão da presente pesquisa que abrange tanto os profissionais que se dedicam à área, como também os atletas praticantes do Futsal. Os autores se interessaram pelo assunto devido à boa receptividade e o sucesso que a modalidade Futsal apresenta no Brasil e também no exterior, sobretudo na América Latina, Europa e Ásia.
O desenvolvimento do treinamento ao longo dos anos da modalidade Futsal apresenta um caráter contemporâneo, e está em evidência nas universidades, clubes e congressos de Educação Física em território brasileiro. A discussão deste tema pode contribuir para um maior conhecimento do Futsal, trazendo perspectivas para que as atividades de treino e preparação venham alcançar maior credibilidade.
O atual trabalho dá continuidade aos estudos “Importância do Esporte no Processo Educacional”, apresentado em seminário à disciplina Fundamentos Filosóficos da Educação e também ao artigo científico “Educação Por Meio da Modalidade Esportiva Futsal” no ano de 2008, exibidos durante o 3º ano na Faculdade de Educação Física de Santos, trabalhos esses relacionados com o Futsal, onde é analisado o desenvolvimento das crianças por meio de atividades orientadas, dando ênfase ao crescimento da ação educativa.
Freire (2006, p.117) destaca que. “o jogo não apresenta apenas o vivido, também o devir. É no espaço livre de pressões que as habilidades (no caso, para se viver em sociedade) são exercidas, podendo assim servir de suporte a outras de nível mais alto, quando necessárias”.
Após evidenciarmos o componente educacional do esporte, pretendemos apresentar o Futsal como competição, salientando as fases do treinamento com jovens iniciantes, evoluindo até a participação na categoria principal e completando com a longevidade no esporte.
O jogo estruturado por regras é uma característica do mundo social, balizado por normas que sustentam o bem viver e assim sendo o Futsal um jogo demarcado por regras, se mostra em realce, pois apresenta competição, cooperação entre os atletas, respeito aos árbitros, jogadores do mesmo time e adversários.
A História nos revela que o jogo está presente desde as mais antigas civilizações na sua forma lúdica de expressão e de competição. Neste aspecto aparece a importância do Profissional de Educação Física, despontando o Futsal como campo de trabalho a ser considerado, abrindo assim portas tanto com a preparação física como na atuação de técnicos em clubes e entidades esportivas de caráter social, árbitros em competições como também na elaboração de livros e artigos científicos.



1. HISTÓRICO DO FUTSAL

Existem diferentes versões sobre a origem do futebol de salão. Uma das hipóteses relata que o jogo começou por volta de 1940, praticado por freqüentadores da Associação Cristã de Moços, em São Paulo, devido à dificuldade de se encontrar grandes áreas livres para campos de futebol e em assim sendo os praticantes começaram a jogar em quadras de basquete e hóquei.
Teixeira Junior (1992) e Figueiredo (1996), entre outros autores, atribuem ao Brasil o nascimento do Futebol de Salão.
Inicialmente jogava-se com cinco, seis ou sete jogadores em cada equipe, passando-se logo depois para cinco jogadores por equipe. As bolas usadas na prática da nova modalidade eram de crina vegetal, serragem ou de cortiça granulada, mas por apresentar problemas de saltarem muito saindo da quadra de jogo com certa freqüência, tiveram seu tamanho diminuído e seu peso aumentado.
Relacionado a esses fatores o Futebol de Salão foi chamado de esporte da bola pesada. Outra versão reporta que o Futebol de Salão foi criado em 1934, pelo professor Juan Carlos Ceriani na cidade de Montevidéu, capital do Uruguai em uma entidade denominada Associação Cristã de Moços, com a denominação de indoor-foot-ball.
Segundo Santana (2008), os primeiros passos do Futebol de Salão foram dados no século XX, década de 30, destacando parecer de quase unanimidade na história para os que transitam na modalidade esportiva em tela, porém diferente dos dias de hoje, se apresentava como um jogo de futebol jogado em quadras.
De acordo com Lomêu (2007), a CBFS (Confederação Brasileira de Futebol de Salão) foi fundada em 15 de junho de 1979, época em que ocorreram transformações radicais no esporte do Brasil, sendo que podemos destacar como de mais importância a extinção da CBD
A CBFS representante da modalidade no Brasil é afiliada a FIFA (Fédération Internationale de Football Association) e Futsal é nome genérico adotado para a modalidade.
Santana (2008) relata que o 6º (sexto) Campeonato Mundial de Futsal FIFA 2008 foi disputado no Brasil, com grande afluência de público expectador nos ginásios de esportes, em datas entre 30 de setembro e 19 de outubro do ano 2008, com participação de vinte países, sendo as sedes no Rio de Janeiro e Brasília, com o Brasil conquistando o título da competição.
O professor da Universidade Federal de Minas Gerais Lomeu de Malaquias Lômeu, especialista em treinamento esportivo expõe assim a importância do Futsal com vinculação à FIFA para futura participação nos Jogos Olímpicos:

Com sua vinculação a FIFA o Futsal deu grande passo para se tornar um esporte olímpico, tendo os Jogos Olímpicos de Sidney / 2000, na Austrália a oportunidade de participar como esporte-exibição e recentemente por intermédio de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, o Futsal é incluído nos jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro. A Federação Paulista de Futsal lança um projeto em prol do Futsal "Eu Quero Futsal Olímpico”. (LOMÊU, 2008, p. 1).

São 130 os países filiados à FIFA dentro da modalidade Futsal sendo que nos Campeonatos Mundiais, disputados na Espanha no ano de1996, na Guatemala em 2000 e em 2004 na China, tivemos uma demonstração do prestígio da entidade com a cobertura de jogos pela mídia impressa, ao vivo pela televisão aberta e também em canais fechados, conhecidos como TVs a cabo.
Anteriormente denominado de Futebol de Salão, o jogo de Futsal é constituído por duas partes de 20 (vinte) minutos com intervalo de 10 (dez minutos), com substituições livres em qualquer tempo de jogo, na categoria principal. A equipe de Futsal é composta por 5 (cinco) jogadores, um dos quais, obrigatoriamente, será o goleiro, sendo o número máximo de 7 (sete) jogadores reservas para substituições e é praticado em quadras de 40 metros por 20 metros.
Na atualidade o Futsal é um dos três esportes mais populares no Brasil., principalmente em grandes cidades onde a maioria das escolas não tem espaço físico para um campo de futebol, aparecendo como uma modalidade de ótima opção, por ser trabalhada em quadra.


2. ETAPAS DA PRÁTICA DESPORTIVA

A peculiaridade da modalidade Futsal, com dinâmica de jogo mutável e com exigência de resultados em competição baliza o treinamento para uma maior especificidade sendo os princípios tradicionais amoldados as atuais metodologias para que assim se consiga suprir as necessidades da equipe, visando melhorar o rendimento individual do atleta e em vista disso uma evolução no rendimento de toda equipe.
Freire (2006, p. 151) escreveu “a crer nessa verossímil teoria evolutiva, a competição estaria na raiz mesma da própria sobrevivência do homem”.
De conformidade com Barth Sorrilha (2008), o treinamento do Futsal utiliza as características da própria modalidade, facilitando assim a compreensão e buscas de conteúdos específicos e conseqüente orientação do treinamento. O treinamento desportivo compreende os períodos de desenvolvimento do indivíduo relacionado com a idade, onde se modifica substancialmente o conteúdo e a estrutura do treino seguindo assim uma progressão lógica.
O Futsal é dividido em categorias por idade, no total de nove, tanto para o masculino como para o feminino, sendo assim catalogadas: de 5 a 9 anos – Sub-9; de 10 a 11 anos – Sub-11; de 12 a 13 anos – Sub-13; de 14 a 15 anos – Sub-15; de 16 a 17 anos – Sub-17; de 18 a 19 anos – Sub-19; principal de 20 em diante, os masters de 33 a 50 anos e os veteranos com idade acima dos 50 anos.
Sorrilha (2008) apresenta cinco etapas fundamentais, denominadas de preliminar, especialização inicial, aperfeiçoamento aprofundado, resultados superiores e termina com a etapa de longevidade desportiva, partindo da iniciação indo até a idade adulta.
Inicia-se buscando um fundo emocional positivo e direcionado em especial à tarefa do aprendizado de dosificação de esforço, evitando movimentos desnecessários e execução de maneira ritmada, ingressando em um processo evolutivo de treinamento no decorrer das etapas seguintes.

2.1 ETAPA PRELIMINAR
Primeira etapa para crianças entre os 6 e 10 anos é direcionada à preocupação de ensinar diferentes gestos motores, como corrida, superação de obstáculos em aclives, escadas, arquibancadas, lançamentos, saltos diversos e gestos básicos não só do Futsal, como também de outras modalidades esportivas, não havendo preocupação com a prática de obtenção de resultados. As sessões de treinamento tendem a possuir um caráter predominantemente recreativo, com utilização de elementos de diferentes modalidades, incluindo em diversas situações e método de jogos.
Na presente etapa deve ser dirigida atenção especial no desenvolvimento da rapidez e das qualidades de coordenação, elementos base para o domínio das ações mais complexas em etapas posteriores de preparação ao longo dos anos. Os exercícios de coordenação e rapidez devem se desenvolver basicamente por meio de jogos.
De acordo com Weineck (2000, p.351) “a primeira regra do treinamento com crianças e com adolescentes é a formação, sem riscos, mas variada, da capacidade de performance corporal”.
Com base nos fundamentos descritos anteriormente as crianças praticantes do Futsal nesta faixa por volta de 6 a 10 anos devem ter também como atividade, alguma forma de jogo com as mãos, com a finalidade de garantir uma formação corporal de base integral.

2.2 ETAPA DE ESPECIALIZAÇÃO INICIAL
Fase orientada para preparação geral objetivando um desenvolvimento harmônico e multiforme do organismo, procurando valorizar o nível geral das possibilidades funcionais, enfatizando o conjunto de hábitos motores e destreza para melhor entendimento dos fundamentos do Futsal visando aperfeiçoamento do praticante da modalidade.
Weineck (2000) destaca ser a adolescência a faixa etária como a de mais alto aproveitamento nos treinos.
Segundo Santana (2008), esse período se define pelo conceito de transitoriedade e, por conseqüência, as categorias são denominadas como transitórias, representado a passagem de um lugar para outro. Sendo ultrapassadas as categorias de iniciação, os jogadores transitam pela categoria infanto-juvenil rumando para a principal. A denominação transitória se dá porque os praticantes se encontram na adolescência e, por excelência, esse é um período de mudanças.
De acordo com artigo publicado na Revista de Psicofisiologia - A Adolescência – ICB (Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais) - (1998), a adolescência é o período entre a infância e a idade adulta, caracterizada por alterações no desenvolvimento biológico, psicológico e social sinalizado por uma aceleração do crescimento cognitivo e da formação de personalidade; sendo um período de preparação intensificada para o futuro papel de um jovem adulto.
Segundo Santana (2008), é nesta fase da vida das pessoas que conceitos e atitudes são substituídos. São novas maneiras de se pensar, se relacionar, se comunicar e se movimentar. Esses indícios sinalizam para o amadurecimento do ser humano. Vem a afirmação da sua personalidade e a conseqüente inserção no mundo adulto.
Sorrilha (2008) descreve que é na presente etapa onde se adquire gradual e progressivamente os traços característicos do treino desportivo. Com relação ao treinamento do Futsal os conceitos sinalizam para a inserção no jogo bem jogado taticamente com objetivos e exigência de performance. A tática é compreendida como o jogo no plano mental. O adolescente é capaz de vivenciar o jogo sem ainda tê-lo jogado. Os técnicos de Futsal podem se utilizar, além de demonstrações práticas, os enunciados verbais expondo conceitos que nesta etapa poderão ser compreendidos por alguém que seja capaz de vivê-los no plano mental, com associação a outros conceitos, passando a construir a partir deste entendimento.
A teoria ganhando espaço, inserindo-se definitivamente na interação técnico e atleta na busca de melhor aproveitamento.

Figura 1 - Quanto maior faixa etária implica maior compreensão da teoria
Fonte: (SANTANA, 2008).
Santana (2008) enfatiza que quanto maior a faixa etária, os planos táticos se tornam possíveis para melhor entendimento por parte dos atletas. No Futsal a eficiência na execução dos fundamentos defensivos e ofensivos se torna importante, destacado no plano tático os fundamentos abaixo relacionados:
Sistemas: definidos como posicionamentos adequados para defender e atacar;
Manobras: compreendem as movimentações ofensivas e defensivas com a bola parada e em movimento;
Padrão de jogo: constituído por movimentações repetitivas para manter a posse de bola e atacar;
Contra ataque: fundamento que tem relação estreita com a proposta defensiva da equipe. É, em parte, determinado pelos fatores de onde e como a equipe marca o adversário.
Sorrilha (2008) realça a importância na formação do jogador a inserção de jogos técinicos-táticos, como prática e domínio dos fundamentos do Futsal em situações de jogo, desenvolvimento da tática individual e coletiva, deslocamento com e sem a bola e desempenho de várias funções envolvidas no jogo e melhoria da resistência específica do jogo.
A adolescência é o período adequado para desenvolvimento do aprendizado tático e a compreensão do jogo de Futsal em si, colocando em evidência alguns termos como sistemas, manobras, padrão de jogo e contra ataque.
Quase ao final da Etapa de Especialização Inicial o atleta deve atingir um estágio que permita alcançar o nível da terceira categoria de classificação desportiva, que permitirá a obtenção de resultados desportivos elevados, e para isso necessitando de estratégias metodológicas mais característica e potente, cabendo assim, a utilização de sistema moderno de treinamento especializado.

2.3 ETAPA DE APERFEIÇOAMENTO APROFUNDADO
Todas as leis específicas do treino desportivo se revelam plenamente nesta etapa. O processo de treinamento adquire traços marcados pela especialização, aumentando-se a preparação de caráter físico, técnico, tático e da capacidade de superação e esforço É dado ênfase ao processo de aperfeiçoamento das capacidades motoras e na preparação de força e velocidade. Na preparação dos atletas há predominância dos exercícios de força que permitem exercer influências específicas sobre os grupamentos de músculos que asseguram a manifestação das possibilidades de utilização da força no Futsal.


Para Weineck (2000, p. 351) “o treinamento com pesos só deve ocorrer, quando ocorrer, em jogadores da categoria de 18 anos de equipes de ponta, que estão sendo preparados para participar de plantel de equipes profissionais”.
Dessa forma, são recomendados exercícios com intensidades quase máximas e máximas, com volume pequeno. Durante a programação são introduzidos exercícios de saltos com peso, exercícios especiais de corrida com e sem bola. Ao iniciar a presente etapa os atletas já devem dominar as bases da técnica e os exercícios devem ser dirigidos para consolidação das mesmas.
Sorrilha (2008) relata que nos esportes coletivos deve-se ter sempre em vista a melhoria de todas as variantes que permitam ao atleta desenvolver sua plenitude técnica durante o jogo, minimizando assim possíveis falhas.
O método competitivo é considerado fundamental no aperfeiçoamento desportivo na presente fase.

2.4 ETAPA DE RESULTADOS SUPERIORES
Cresce substancialmente a parcela de preparação especial, as cargas de treinamento com fins específicos e de uma direção, como exemplo, o treino de força, velocidade e resistência. Relacionado com movimentos específicos da modalidade Futsal, a força mais importante apontada é a força rápida; temos como exemplos de emprego da força em acelerações os saltos para cabeceios, paradas abruptas, mudança de direção e fase inicial das corridas,
Para Weineck (2000, p. 207) “a força rápida representa para o jogador de futebol a mais importante qualidade do condicionamento físico, ela se manifesta na forma de chute, de salto, bem como de lançamento (nos laterais e nos lançamentos do goleiro)”.
O controle dos efeitos de treinamento deve ser ainda mais estreito e os testes devem ser cada vez mais específicos, como por exemplo, diversas aferições de diferentes tipos de saltos, cargas de força, resistência de força, deslocamentos próximos de solicitações do Futsal.

Figura 2: força sobre uma determinada carga suportada em relação à velocidade que descolamos essa mesma carga.
Fonte: (MARQUES, 2002, p. 1).
Segundo Raharinosy (1988), a força e a velocidade têm uma relação inversa, isto é, à medida que aumentamos a carga ou resistência a superar num determinado exercício a velocidade de deslocamento diminui. Isto não quer dizer que quanto mais força empregada, menos velozes seremos, pelo contrário se o treino for realizado corretamente, quanto mais força tiver o atleta, mais velocidade será capaz de alcançar.
O gráfico da figura 3 mostra a curva força/velocidade se deslocando para a direita, o que significa que diante da mesma carga observamos uma maior velocidade, ou para a mesma velocidade o deslocamento de mais peso.


Figura 3: mesma carga, uma maior velocidade, ou para a mesma velocidade deslocaríamos mais peso.
Fonte: (MARQUES, 2002, p. 1).

Para Marques (2002) é importante educar as aptidões de força que correspondam às exigências da modalidade específica.
Sorrilha (2008) recomenda testes exercícios com velocidade a serem efetuados e podemos citar como exemplo: 40 metros com mudança de direção; corridas de 30 metros, saindo na posição em pé. O Jogador de FUTSAL necessita ter reações rápidas sobre ações específicas do jogo sobre pressão do tempo e também do adversário e para isso é importante sua efetiva velocidade de ação.
Os testes de controle devem ser efetuados em função da evolução do treinamento e servindo como balizador para controle de carga, efeitos do treinamento e acompanhamento do aperfeiçoamento dos atletas, e devendo ser registrados e colhidos para o banco de dados, que deve ter toda a história dos referidos atletas.

2.5 ETAPA DA LONGEVIDADE DESPORTIVA
Sorrilha (2008) ressalta que independentemente das diferentes formas de realização do treino opera-se gradualmente a redução das possibilidades funcionais e da adaptação do organismo em função da idade.
Segundo Pereira e Souza Junior (2005, p.131) “o organismo do atleta ou indivíduo comum, praticante de atividade física regular, deve manter-se íntegro nas suas partes constituintes para desenvolver suas capacidades máximas de rendimento físico, mesmos especializadas, por longo tempo.
Assim, o processo de treino deve se realizar predominando a restauração do treinamento a fim de se manter uma elevada capacidade geral e especial do atleta de idade mais avançada. É sempre bom conservar o aperfeiçoamento do que já foi conseguido na preparação técnica e tática. O conteúdo de treino se aproxima nesta fase, de um caráter uniforme, utilizando-se em maior escala os meios de descanso ativo.


3. ATUAÇÃO DO TREINADOR

De acordo com Santana (2008), muito do que se pode fazer taticamente a partir da adolescência deve-se à nova maneira de pensar dos jogadores. Ao contrário do que ocorre na 2ª infância quando a criança opera no concreto, precisando da realidade observável para realizar operações intelectuais, o adolescente elabora sobre hipóteses, no plano das idéias, passando a construir suas próprias reflexões e teorias. Essa maneira de pensar norteia para novas perspectivas táticas tanto o jogador como o técnico de FUTSAL. Sendo a tática o elemento inteligente do jogo, ela acontece, num primeiro momento no plano mental, no campo das idéias. Nessa concepção e no estudo do adversário, que os técnicos elaboram hipóteses para solucionar os problemas de suas equipes e levá-las a vitória. Os adolescentes têm essa capacidade, ou seja, estabelecer hipóteses e deduzir. Assim sendo, têm condições de se desenvolver para triunfar taticamente sobre o adversário.
Coqueiro e Honorato (2008) destacam que o aprendizado de uma modalidade pode não consistir na precisão de números de tarefas, mas na espontaneidade de todo organismo do jogador e a coordenação das interações que une todos os jogadores ao time e isso deve ser levado em considerações pelos Treinadores de Futsal no sentido de liberar a criatividade.
Na parte do condicionamento físico Weineck (2000) recomenda o lúdico e o jogo livre para os iniciantes (6 a 10 anos); para os adolescentes, treinamento em circuitos. Treinamentos de chutes devem ser desenvolvidos para que se chegue à idade adulta com esse fundamento aprimorado.
Já nas etapas de aperfeiçoamento aprofundado e de resultados superiores o treinamento deve se aproximar das condições próximas do jogo de Futsal com desenvolvimento da velocidade e habilidade, relacionando também os aspectos psicológicos e técnico-táticos, com ênfase para especificidade, na fase de resultados superiores.
Segundo Dias e Teixeira (2006), o treinador precisa estar consciente dos objetivos de cada atleta que trabalha.
Na etapa de longevidade esportiva o treinamento deve ser voltado à qualidade de vida, sendo importante o descanso ativo onde as pausas maiores têm seu significado para recuperação.
Sorrilha (2008) relata a importância dos fatores e condições determinantes para o desempenho na modalidade durante o processo evolutivo do treinamento, dentre as quais podemos descrever:
Requisitos antropométricos como altura, peso, proporções, local do centro de gravidade;
Características físicas de resistência aeróbica e anaeróbica, força dinâmica e estática, velocidade da ação e reação, flexibilidade;
Requisitos técnico-motores, referentes à velocidade de equilíbrio, percepção espaço-temporal e rítmica, aptidão para o esporte com bola;
Capacidade de aprendizagem, como a compreensão, observação e análise;
Prontidão para o desempenho, esforço, disciplina, aplicação ao treinamento, tolerância às frustrações;
Capacidades cognitivas, como concentração, inteligência motora, criatividade, tática;
Fatores afetivos, como estabilidade psíquica, prontidão para competições, severidade e capacidade de controle do estresse durante as competições e também fatores sociais, como aptidão de se posicionar para trabalhos em equipe.
O Preparador Físico e o Técnico devem estar atentos a todas essas condicionantes com as devidas adaptações nas respectivas etapas do treinamento do Futsal. E para Santana (2008, p.1) é importante “continuar-se-á a busca pela formação de agentes pedagógicos de pensamento menos simplista, capazes de compreender, organizar e transformar a sua prática (...). Quem ganha com isso? A sociedade’.
A conseqüência do aprimoramento dos profissionais envolvidos na modalidade é que o Futsal poderá ser mais bem tratado nos cenários onde é praticado.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

O sentido de apresentar o treinamento ao longo dos anos na modalidade Futsal é considerar as tarefas e objetivos das diferentes etapas de desenvolvimento desportivo, embasadas pelos diversos métodos e meios utilizados na obtenção de resultados relevantes em período de longo prazo e solidificado pela otimização da preparação geral, e de uma apropriada sistematização do processo, com uma maior segurança na vida esportiva e social de Preparadores Físicos, Técnicos e principalmente dos atletas envolvidos.
O presente trabalho procurou mostrar também a inconveniência da especialização precoce no Futsal em buscas de resultados em competições, respeitando a evolução gradativa dos atletas em se considerando a idade e os fatores físicos, psicológicos e sociais, em uma modalidade onde o atleta pode buscar o alto rendimento, porém a literatura nos mostra que no universo do esporte são poucos os que alcançam esses ideais.
Na parte da estrutura profissional do Futsal de alto rendimento, o cargo de Preparador Físico é importante pela própria função natural, com a responsabilidade pelo condicionamento físico do atleta individualmente e também no aspecto coletivo da equipe.
Deixamos à reflexão a importância, tanto do conhecimento técnico por parte dos envolvidos no Futsal, como também ser indispensável o bom relacionamento entre pessoas, tendo por finalidade possibilitar o entendimento necessário, fator imperativo para o progresso pessoal do atleta e comissão técnica.






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formatação seguir normas ABNT

                                                                                         
                                                                                   SIDNEY SANTOS CREF  120222 
                                                                              G/SP

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